Tuesday, August 21, 2012

Começar a escrever é exatamente como começar a malhar. Recomeçar, também.

No início dói, mas você insiste porque sabe que ao cabo de alguns meses obterá resultados com os quais espera ser capaz de impressionar alguém. Ao cabo de alguns meses, ainda sem perceber resultados nem saber ao certo se está impressionando alguém, o hábito incorpora-se à rotina. Mais algum tempo e chega-se ao ponto em que o ato vale por si e figura no rol de pequenos prazeres onanistas da vida.


Então, sem motivo, você para.


Nunca parece definitivo.


Você se lembra exatamente de onde estava, quando parou. Acredita que basta voltar. Acredita que a qualquer momento voltará. Simplesmente não percebe que parou.


Você não vê as moléculas de instantes suspensos, não enxerga empilharem-se os tijolos feitos dos milhares e milhões de pequenos grãos de imobilidade que se acumulam entre você e a Última Vez.


E um dia, em fotografias antigas, você impressiona a si mesmo com os resultados obtidos antes de parar e se pergunta como não percebi antes. Como não percebi durante.


E você decide voltar. E só então percebe a imensa Muralha de Imobilidade construída a seu redor e adornada com arabescos de Falta de Motivação. Mas, resoluto, você decide botar a baixo o vergonhoso monumento à Inércia, da única forma conhecida pelo homem: bebendo e repetindo a si mesmo que segunda-feira será outro dia.