Thursday, March 28, 2013

Coyoacán, 2/2/2013, 17:00.

Os sinos da catedral de San Juan tocam sem a solenidade que já devem ter tido. Agora, a música mundana dos mariachis, dos vendedores de tamales, dos comediantes de rua, das crianças e seus apitos, dos eufóricos adolescentes e de todos os coadjuvantes do sábado em Coyoacán enroscam-se às badaladas, e fazem-nas quase pitorescas, como um relógio cuco marcando as horas num show de rock. Ainda assim, os sinos atraem alguns olhares, rostos que se voltam para cima e percebem o céu inteiramente azul, tão sereno que poderia ser fonte da brisa fresca asfixiada, ao nível do calçamento de pedra da Plaza Hidalgo, pelos cheiros de gordura dos asados, tacos, carvão e suor e fezes e cigarros. Acima, os sinos e a brisa fresca envolvem quase com ternura num manto de pureza a algazarra abaixo, onde a luminosidade amarela do fim de tarde, o latido de um cachorro e a gargalhada de uma menina paralisam o tempo, fabricam uma memória, e sugerem ser hora de buscar um alambre no Pepe Coyote e um mocha no Café Jarotcho.

No comments:

Post a Comment